Greve dos caminhoneiros impacta mercado de eventos

Em meio ao caos da greve que parou o Brasil, profissionais de diversas áreas de atuação tiveram que adaptar o funcionamento dos seus negócios em virtude das estradas bloqueadas e caminhões parados. Para o mercado de festas, casamentos e outros tipos de eventos, o baque foi ainda maior: insumos para buffets, materiais de decoração e organização em geral ficaram no meio do caminho.

Em um casamento no último sábado (26/5), o que poderia se tornar um desastre, acabou virando uma história de solidariedade e amor. Depois de tanta preparação e fechamento dos serviços com fornecedores, o evento montado pela decoradora Valéria Leão Bittar ficou comprometido. As plantas e o mobiliário selecionado para o grande dia não pôde ser entregue.

Decoração improvisada com flores do mato

Os caminhões com as entregas deveriam chegar na quarta-feira de manhã, porém, foram barrados pelos grevistas. Valéria conta que até a quinta ainda esperavam que os materiais chegassem, mas foi preciso correr para amenizar o prejuízo. “O mais difícil foi que não estava na minha cidade e nem tinha meu depósito. Tivemos que pegar tudo com fornecedores locais, pedimos flores e plantas em fazendas e sítios, e alugamos móveis, mesas e cadeiras no improviso com empresas locais”, conta a decoradora.

Apesar de todo o estresse, Valéria destaca que o momento promoveu uma união de todos, dos organizadores, dos familiares e amigos dos noivos, que também trouxeram de outras cidades e buscaram na própria estrada alguns materiais encomendados. “Foi uma mega força tarefa que no final permitiu que tudo corresse bem no evento. A noiva e os familiares foram muito compreensivos e todos se emocionaram com a realização do casamento”, comemora.

Para  Renata La Porta, dona do buffet que leva seu nome, a maior dificuldade está sendo a falta de entrega das mercadorias. “Trabalhamos  com produtos bem exclusivos, como bacalhau, frutos do mar, carnes especiais, que vêm de São Paulo e até de outros países. Então temos muita mercadoria presa, diz a empresária e chef de cozinha.

Seu prejuízo, de pelo menos R$ 180 mil, só não foi maior porque ela costuma trabalhar com um estoque de emergência. “Essa reserva os atendeu durante um certo momento. Depois, começamos a fazer pequenas alterações nos cardápios com o aval dos clientes e a comprar de fornecedores de Brasília que ainda tinham algum estoque, com preço bem mais alto do que estamos acostumados e qualidade por vezes menor”, diz Renata La Porta.   Ela prevê que, se a paralisação continuar, a situação vai se agravar bastante.  

O buffet Cozinha do Mundo também sofre com greve. Seu funcionamento teve de ser reduzido em até 50%. Alguns cancelamentos foram feitos e outros eventos remarcados. A equipe está aumentando os estoques e se preparando para a semana que vem. “Estamos conversando abertamente com os clientes e fazendo adaptações nos cardápios”, conta Adriana Ribeiro, responsável pela empresa.

O decorador Kaká Fagundes também foi prejudicado pela greve, que afetou diretamente a distribuição de flores e mercadorias que vinham de outros estados. Para lidar com os imprevistos, a empresa recorreu ao acervo de mobiliário e adorno próprio que possibilitou a adaptação das decorações de parte dos eventos. Dessa forma, alguns atendimentos foram reagendados e flexibilizados para amenizar a situação. “Nós decoradores temos o instinto de transformar e recriar ambientes. Depois de fazermos de tudo para realizar o que foi combinado, se ainda assim não for possível, precisamos ser criativos e verdadeiros. Assim o cliente entenderá o seu esforço pra realizar o sonho dele”, expressa o profissional.

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